Reunião pública contra o aborto é realizada na Câmara do Recife

 

 

Com o tema “Contra o aborto e em favor da vida”, a reunião pública proposta pela presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Família e da Vida, vereadora Missionária Michele Collins (PP), e que contou com a participação da missionária norte-americana Gianna Jenssen, foi realizada, na manhã desta quarta-feira (30), em dois espaços da Câmara Municipal do Recife. A decisão foi tomada, diante das reações de entidades feministas favoráveis ao aborto, que impediram a fala dos participantes da mesa.  A audiência foi encerrada e reiniciada na Sala da Presidência.

“Nós tentamos manter o debate no plenário, propondo um acordo com os presentes para que pelo menos cinco representantes dos movimentos também pudessem falar. Mas, infelizmente, não foi possível sermos atendidos”, afirmou Michele Collins. Após retomar a reunião, que contou com a presença de dezenas de pessoas, Gianna Jenssen pode contar sua história enquanto sobrevivente de uma tentativa de aborto. Assim, outros participantes puderam falar sobre o assunto. A mesa foi composta pelo vereador Renato Antunes (PSC), a representante do movimento Brasil Pela Vida, Ina Sobolews, a médica nefrologista Sandra Fleischman e pelo representante da Associação Nacional de Juristas, Jonas Moreno.

Em seu pronunciamento, a parlamentar ressaltou que a Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), realizada em 2016 pelo Anis – Instituto de Bioética e pela Universidade de Brasília (UNB), mostra que 20% das mulheres terão feito pelo menos um aborto ilegal ao final da vida reprodutiva. “Isso significa que uma em cada cinco mulheres terá abortado ao menos uma vez. E o tema sobre a sua descriminalização até o terceiro mês de gravidez, em qualquer situação, é um dos processos com mais pedidos junto ao Supremo Tribunal Federal (STF)”. Sendo um dos principais fatores para que ainda existam abortos ilegais no Brasil é a desigualdade social.

Michelle ressaltou ainda que a vida é um dom de Deus. “Por conta disso, precisa ser preservada e dignificada, desde sua concepção até a morte. Nesse contexto, é de grande importância que seja proporcionada à mulher uma renda familiar proporcional às suas necessidades, um apoio ao ato extraordinário de conceber uma vida e uma educação sexual adequada e que vá ao encontro da ética cristã. A vida humana é inegociável, e simplesmente tirá-la é inconcebível”.

Gianna Jessen contou que nasceu numa clínica de aborto em Los Angeles, Califórnia, no dia 6 de abril de 1977. “Fui salva por Deus. Minha mãe aos sete meses de gestação tomou uma injeção salina, substância que queima o feto dentro do útero por 18 horas. Em consequência a isso, nasci com paralisia cerebral. Diziam que eu não sustentaria a cabeça, que eu não conseguiria andar. Hoje estou aqui. Sempre que conto a minha história , sou amada, mal entendida ou odiada. Mas, isso acontece com todos que falam a palavra de Deus”, ponderou.

A vereadora Missionária Michele Collis ressaltou a importância desse depoimento. “Estou muito feliz em poder compartilhar o depoimento de Gianna Jessen com as pessoas que estão aqui. Estou conhecendo um milagre da vida”, enalteceu.

Em seu depoimento, a médica Sandra Fleischman explicou que no Brasil existe a saída da adoção e o Programa Mãe Legal para quem não quer seus filhos. “Não tem sentido matar se a mão não quer ter a criança. Pode coloca-la para adoção”. Já o representante da Associação Nacional de Juristas, Jonas Moreno, enfatizou que o aborto já é criminalizado no Brasil e que existem exceções previstas na legislação. “Quem deve legislar é o Parlamento. As Cortes não têm este poder. A constituição Federal, nas Convenções Americanas e da ONU possuem instrumentos que norteiam a defesa do direito do embrião”, finalizou.